ESPORTE
A onda dos esportes de areia
O que atrai o público para as novas tendências esportivas
Por Carolina Gamarano e Michel Santos

Praticantes beach tennis em JF/ Foto: Michel Santos
Em Juiz de Fora, os esportes com “vibe” praiana vêm ganhando cada vez mais espaço, ocupando quadras e conquistando novos praticantes em ritmo acelerado. Seja pelo clima descontraído, pelo contato com a natureza ou pelo senso de comunidade, modalidades como o futevôlei e o beach tennis deixaram de ser atividades sazonais para se tornarem parte da rotina de quem busca mais qualidade de vida, lazer e bem-estar.
A cidade tem acompanhado esse crescimento com entusiasmo. Recentemente, o CT Futevôlei JF recebeu os campeões mundiais Josy e Paraná, em um evento que lotou a arena e reafirmou o interesse local. Ao lado do futevôlei, o beach tennis também segue em ascensão: são inúmeros os espaços espalhados pelos bairros juiz-foranos que hoje oferecem quadras, aulas e torneios voltados para iniciantes e veteranos.
Para muitos dos praticantes, a explicação do sucesso é simples: são esportes democráticos, que desafiam os jogadores, mas exigem pouco para começar. Além de serem ao ar livre, ainda carregam o clima praiano da areia, mesmo a quilômetros de distância do litoral.
Esse movimento, no entanto, não é exclusividade de Juiz de Fora. Segundo a World Footvolley, o Brasil já ultrapassa os 500 mil praticantes de futevôlei. No caso do beach tennis, os números impressionam ainda mais: de acordo com a Confederação Brasileira de Tênis (CBT), o país já conta com mais de 1 milhão de adeptos — quase o triplo em relação a 2021, quando a estimativa era de 400 mil praticantes.
Beach Tennis, um espaço para todos
Para entender o que leva ao fenômeno do beach tennis, um esporte similar a clássica modalidade bretã, se popularizar tanto, é necessário conhecer um pouco mais da prática. Tudo começou na virada dos anos 1980 na Itália, quando alguns grupos começaram a usar as redes de vôlei nas praias da província de Ravenna. Com o tempo surgiram as primeiras regras, os primeiros torneios e, em 1996, a modalidade se profissionalizou e desde então passou a ganhar mais notoriedade e popularidade.
As regras são bem parecidas com a do tênis tradicional, uma quadra separada por uma rede na qual o objetivo é um pouco diferente do tênis comum, mas ainda similar, pois se trata de fazer a bolinha cair na quadra adversária. Aqui, com algumas diferenças, é praticado na areia, a raquete é diferente e a bolinha um pouco menor. Mas a receita simples caiu no gosto do público.

Fernanda (à esquerda) jogando/ Foto: Michel Santos
Um dos destaques do beach tennis é a sua acessibilidade, tendo praticantes desde os mais jovens, como crianças e adolescentes, até a terceira idade. Para a adepta da modalidade Fernanda Ferreira o clima foi um dos fatores decisivos para cair no seu gosto. “Eu sempre gostei de esportes ao ar livre. E o fato da gente estar descalço, no sol, poder sair do apartamento e estar em contato com a natureza, foi o que me fez começar.”
Futevôlei: vício ao ar livre
Já sabemos que a prática de esportes muda a vida das pessoas, e com essa modalidade não é diferente. Entre os de areia que mais conquistam adeptos nas quadras está o futevôlei. O contato, que pode começar como uma curiosidade, acaba se tornando um verdadeiro estilo de vida. Fernanda Lima descreve sua trajetória com entusiasmo: “eu comecei no futevôlei durante a pandemia, buscando um esporte ao ar livre e me apaixonei”. A empolgação logo virou rotina e compromisso: “raramente eu saio à noite, porque de manhã eu tenho treino. Balada? — Risos — meus rolês são aqui: jogar uma pelada, depois fazer um churrasco, tomar uma cerveja. Essa é a nossa galera. É o que o nosso público gosta. É um estilo de vida.”
A modalidade tem características que integram o vôlei de praia e o futebol. “É um esporte difícil, mas quando você começa a bater bola de verdade e percebe sua evolução, é muito bom.” Cada vez mais empolgada com sua performance, Fernanda comenta que está treinando há quase quatro anos consecutivos e que aprimorar a técnica no dia a dia a motiva cada vez mais.
Mais do que uma moda, o futevôlei passou a fazer parte do cotidiano de muitos juiz-foranos. Segundo Fernanda, o que faz com que tanta gente se identifique com o esporte é justamente essa atmosfera leve e social, o senso de coletividade e a “sensação de tribo”. Ela conta que, sempre que conhece alguém no espaço, acaba fazendo amizade — e isso se estende para além das aulas e da quadra.
Ambiente inclusivo
Para além da diversão e do convívio, os esportes de areia também se destacam por serem acessíveis a diferentes públicos, como reforça o professor de beach tennis Bernardo Gerheim “Você consegue ensinar desde os mais jovens até pessoas mais velhas. É de fácil aprendizado e promove muitas amizades”. Já Fernanda Lima observa que esse é também um dos principais motivos pelos quais tanta gente se envolve no futevôlei: “É um esporte democrático mesmo. Você vê desde criança até gente mais velha jogando, todo mundo junto”, ressalta, lembrando que tem uma aluna que treina com o marido e os filhos.
Além dos pontos já apresentados, para a atleta Fernanda Ferreira, o ambiente do beach tennis também é um fator positivo, ela conta que sente o espaço confortável para mulheres “Então a gente cria uma comunidade muito legal, se encontrando, tendo a oportunidade de se divertir”. Para ela, esses pontos fazem com que quem começa não pare mais.
Campeonatos e comunidade
A energia dos esportes de areia também se revela nos torneios que movimentam as quadras da cidade. No AeroBeach o público feminino lotou a quadra na última competição, com participação de mais de 40 mulheres. Fernanda e Lud costumam movimentar o espaço para além das aulas, e os campeonatos têm se tornado uma ótima oportunidade para reunir, brincar, celebrar e criar redes. “A gente fez um torneio de vôlei com 12 quartetos para brincar, mesmo, se divertir. A energia foi maravilhosa.”
Além dos eventos de vôlei, Fernanda também organiza torneios inusitados, como o de tênis de mesa na areia — ideia que surgiu quando uma mesa foi levada para o espaço e caiu no gosto dos frequentadores, “tem gente que vem só pra jogar ping-pong!” Para ela, mais do que competir, os eventos ajudam a divulgar o esporte, aproximar as pessoas e manter o espaço ativo. Além dos torneios já reconhecidos, o espaço abre portas para a imaginação de Fernanda, que deseja em breve misturar os esportes no mesmo torneio.
