ENTREVISTA
As vestes o tornam ator, o olhar infantil o torna símbolo de felicidade
“Papai Noel” conta a história de como decidiu seguir carreira trazendo felicidade às crianças todos os anos.
Por Cecília Bigogno
Na infância, todos acreditam no bom velhinho. Sua roupa vermelha, seu gorro imponente, sua barba branca e macia como algodão e o sorriso que alegra as crianças. Todos temos em mente o quanto essa imagem é memorável nesse feriado tão festivo. Mas e o Papai Noel? Como ele enxerga a época do natal? Em entrevista para O Bastidor, o Papai Noel, Carlos José Gomes da Rocha, mais conhecido como Cazé Rocha, conta um pouco sobre a sua experiência vivendo a figura mais famosa do natal.
P: Há quantos anos você trabalha como Papai Noel?
R: Eu trabalho já tem mais de 30 anos. Eu fiquei um período de 20 anos fazendo com barba postiça, mas agora, estou há dez anos com a barba natural.
P: Como você se tornou Papai Noel de shopping? Pode contar um pouco da sua trajetória?
R: A gente começa sempre com aquela história de fazer Papai Noel na família, né? Então eram os natais com a família. A gente sentava, conversava, trocava os presentes e eu sempre vestia a roupa. Uma roupa simples, vestia de Papai Noel, descia, e as crianças acreditavam, eram os bebezinhos da família. E depois a família foi crescendo, crescendo, e eu, que já era um ator de teatro, me encantei com essa história do natal. Então, a partir daí, eu fui trabalhar no teatro, depois do teatro me chamaram para atuar em shopping, onde continuei com barba postiça, e eu gostei muito. Fui crescendo na área, a idade foi ficando um pouquinho mais avançada, a barba cresceu (risada) e eu trabalho nisso já tem 10 anos com a barba natural.

Cazé Rocha como Papai Noel. Foto: arquivo pessoal.
P:Já vivenciou alguma situação marcante ou inusitada que nunca esqueceu?
R: Tem muitas histórias, as crianças são muito inocentes. Uma delas havia perdido o papai três meses antes de vir falar comigo, então ela pediu se eu poderia levar o papai de volta. Aquilo choca a gente. O coração da gente explode. Aí a gente tenta acalmar o coraçãozinho, explicar que o papai foi para o céu, que está do lado do papai do céu, e quem determina isso é ele. Isso para ela ficar em paz. Para isso tudo, a gente tem que ter consciência na hora, às vezes acontece. A gente tem que saber o que o Papai Noel pode oferecer, e o que o Papai Noel não pode oferecer, porque a criança acredita muito nisso. E nesse dia a mamãe chorava muito, então era eu ali tentando acalmar as coisas. Foi muito inusitado, porque a criança precisa acreditar em tudo e, se a criança acredita, a gente tem que entrar na história dela para acalentar um pouquinho o coração delas.
P: Quais são os pedidos mais comuns que as crianças fazem?
R: É sempre aquilo, o tradicional, né? Na maioria das vezes as crianças, as meninas pedem bonecas, os meninos pedem carrinho, mas hoje em dia está tudo muito eletrônico. Então são jogos eletrônicos, mas a gente tenta incentivar de ter a bonequinha, de ter um carrinho de controle remoto, que é uma coisa mais antiga e tal, que algumas crianças acreditam nisso. Mas vão crescendo e as crianças vão se tornando “dos eletrônicos”, e ao mesmo tempo temos que continuar fazendo ela acreditar. É incentivar a escrever cartinha, fazer um desenho para que não fique só do lado eletrônico. É o nosso futuro, e a gente sabe disso...mas para a magia continuar, é muito importante.
P: Qual é sua parte favorita de exercer esse trabalho?
R: As crianças, com certeza. O sorriso e a alegria dos pequenos quando eles acreditam no Papai Noel é muito significativo, sabe? E como eu sou ator, viver esse personagem também é muito importante para mim, ainda mais que é uma tradição que veio dos natais com a minha família.
P: Quando as luzes se apagam, o traje volta para o cabide e o shopping fica silencioso, o que o Natal ainda deixa dentro de você?
R: O natal fica e vive dentro de mim o tempo todo. Depois que eu saio daqui, até brinco com o pessoal, mas é verdade. Eu durmo me imaginando com o gorro do Papai Noel, vestindo a roupa do Papai Noel, porque ela é quentinha. Eu chego em casa, tento relaxar, mas ainda fico com a cabeça presa no dia seguinte, porque é um trabalho árduo, mas muito gostoso de fazer. São cinquenta dias que a gente começa, sempre no início de novembro, e ficamos aqui para poder trabalhar a todo momento. Então eu trabalho também em um escritório, onde eu tento relaxar, mas vai chegando dezembro e não tem como.
O Papai Noel “me chama” e eu preciso estar lá, passando para as pessoas a alegria de viver o bom velhinho (risada)
