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COMUNIDADE

  "Quem faz a Facom acontecer"

Professores, funcionários e alunos contam como a convivência transforma a rotina da faculdade

Por Ester Gonçalves e Gabriely Lourenço

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Fachada do atual prédio da Faculdade de Comunicação (FACOM) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Foto: Gabriely Lourenço

Por trás dos prazos de entrega, das salas de aula movimentadas e dos corredores barulhentos da Facom, existe uma engrenagem viva que não para de girar. Uma faculdade não é feita apenas de paredes e currículos acadêmicos, mas dos encontros que acontecem nela. É na troca diária entre o rigor do professor, a dedicação do funcionário que mantém tudo operando e o entusiasmo do aluno que a rotina se transforma. Nesta reportagem especial, mergulhamos nas histórias de quem vive o dia a dia da instituição e descobrimos como a convivência e o afeto são os verdadeiros combustíveis que fazem a Facom acontecer. 

Rostos que todo mundo conhece

 

Se as salas de aula são o coração acadêmico da Facom, a estrutura técnica e o suporte administrativo são as veias que mantêm o corpo funcionando. Quem passa pelos laboratórios ou cruza os corredores diariamente muitas vezes não imagina as histórias e o tempo de dedicação de quem está por trás das telas, das câmeras e das mesas de som.

Para quem estuda na Facom hoje, desfrutar da estrutura atual parece algo natural. Mas houve um tempo em que a realidade era bem diferente. Quem se lembra bem dessa transição é Paulo Avezzani, um dos técnicos de TI da faculdade, que já soma mais de 22 anos de casa. Ele acompanhou de perto a mudança da "antiga Facom" — que funcionava nos blocos de baixo do campus — para o prédio atual. "Mudou o local, né? Hoje temos mais espaço", relembra o técnico, cuja rotina é o verdadeiro oxigênio tecnológico da faculdade.

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Sala da técnica e de tráfego de equipamentos, a "sala 115" Foto: Gabriely Lourenço

Há mais de três décadas fazendo parte da rotina da Faculdade de Comunicação, Gilmar David dos Santos se tornou uma figura conhecida por gerações de estudantes. Funcionário da Facom desde agosto de 1995, ele acompanha de perto o dia a dia da instituição e conhece como poucos os bastidores que garantem o funcionamento das atividades acadêmicas. Embora muitos alunos o vejam circulando pelos corredores, Gilmar explica que sua rotina é marcada por diferentes tarefas. “Às vezes o pessoal acha que a gente está passeando, mas não está não”, brinca. Entre atendimentos no anfiteatro, nos estúdios e nas salas de aula, ele auxilia professores e estudantes para que equipamentos e recursos funcionem corretamente. 

Ao longo dos anos, Gilmar acumulou histórias e memórias com alunos que passaram pela faculdade. Uma das mais marcantes envolve o ex-estudante Antônio Marcos, de quem se tornou amigo durante o período de graduação. Anos depois, já formado e trabalhando na imprensa, Antônio faleceu em um acidente. O reencontro simbólico aconteceu quando Gilmar conheceu o filho do ex-aluno, hoje estudante de Jornalismo. “Quando bati o olho nele, parecia que estava vendo o próprio Antônio Marcos na minha frente”, relembra.

A Facom como um porto seguro

 

Se por um lado a faculdade conta com a solidez de quem tem décadas de história, por outro, ela se renova com a energia de quem encontrou na instituição um novo rumo para a vida. É o caso de Luciane de Souza que, há dois anos, viu a rotina mudar completamente ao iniciar os trabalhos na cantina da faculdade.

 

Vinda de uma realidade exaustiva no setor comercial, ela encontrou no ambiente universitário mais do que um emprego: encontrou um refúgio. "Eu estava vindo de uma situação tão difícil de comércio, para mim isso aqui foi um recomeço. Trabalhar aqui, isso aqui é a minha vida.”, afirma com um sorriso no rosto.

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Cantina da FACOM Foto: Gabriely Lourenço

Quando a faculdade vira segunda casa

 

Mais do que transmitir conteúdos em sala de aula, os professores da Facom são peças-chave na construção da identidade da faculdade. Para quem ensina, a universidade é um ecossistema vivo, onde a formação acadêmica é apenas a porta de entrada para um processo muito maior de crescimento pessoal, político e cidadão. Essa dedicação se confunde, muitas vezes, com a própria história de vida dos docentes, criando um ciclo de pertencimento que atravessa décadas.

 

Os professores Álvaro Americano e Letícia Torres representam esse vínculo profundo: ambos foram estudantes da casa antes de assumirem o giz e o apagador (ou as telas e as câmeras). Álvaro, com 30 anos de bagagem na instituição, destaca que suas melhores recordações estão ancoradas no balanço dos projetos, nas conversas de corredor e no reencontro com as memórias de tantas turmas que ajudou a moldar. Já Letícia, que entrou na faculdade aos 18 anos e ali construiu sua trajetória pessoal e profissional, define a Facom como "um lugar de conforto e um de seus favoritos no mundo". 

Para o professor Paulo Roberto, uma das maiores recompensas da trajetória na faculdade está em acompanhar o crescimento dos alunos para além da sala de aula. Ele destaca a satisfação de ver ex-estudantes construindo carreiras sólidas e comprometidas com a sociedade. Segundo Paulo, é motivo de orgulho observar profissionais que levam para o mercado valores aprendidos durante a formação, atuando com responsabilidade, qualidade e compromisso público. Ver pessoas com quem conviveu desenvolverem trajetórias respeitáveis e dignas é, para ele, uma das expressões mais significativas do legado da instituição.

Relações que transformam trajetórias

 

Para os estudantes, a Facom é muito mais do que um espaço de formação profissional. As experiências vividas dentro da faculdade mostram que a convivência com colegas, professores e funcionários têm papel fundamental na construção de trajetórias pessoais e acadêmicas.

 

Para Israel Rodrigues, um dos principais aprendizados veio do contato com pessoas de diferentes realidades. Segundo ele, a diversidade presente na faculdade amplia a visão de mundo dos estudantes e contribui diretamente para a formação de futuros comunicadores. “Sinto que aprendo a cada dia com cada pessoa da qual converso. Aliás, essa é uma das funções do jornalista: escutar a história de outras pessoas e entender o peso delas”, afirma. O estudante também destaca o respeito às diferenças como uma das características mais marcantes da Facom e ressalta a importância dos profissionais que atuam nos bastidores, desde os funcionários da limpeza até a equipe técnica responsável pelos equipamentos utilizados nas atividades práticas.

A experiência universitária também é marcada pelo acolhimento. Julia Maria encontrou esse apoio em um momento decisivo de sua trajetória, quando pensou em desistir do curso e retornar para sua cidade de origem. O incentivo recebido do professor Talison e de um grupo de colegas foi fundamental para que permanecesse na universidade. “Quando pensei em desistir e voltar para minha cidade, eles me mostraram que tudo bem sentir saudades, mas que eu também tinha que lutar pelos meus sonhos”, relembra. Para ela, a convivência na Facom ultrapassa os limites da sala de aula e se transforma em uma rede de apoio capaz de fortalecer a permanência dos estudantes.

As amizades também aparecem como um dos principais legados da vida acadêmica. Lívia Leão acredita que os vínculos construídos ao longo do curso são tão importantes quanto o conhecimento adquirido nas disciplinas. “As amizades que fiz ao longo desses quatro períodos são de ouro”, destaca. Para a estudante, a descontração na sala do Setor Técnico, a famosa ‘sala 115’, as conversas nos corredores e o companheirismo criam uma atmosfera única, tornando a faculdade um ambiente acolhedor e cheio de identidade.

Já Paola Pereira chama atenção para o trabalho realizado por professores, técnicos e funcionários que garantem o funcionamento diário da instituição. “Pra gente chegar aqui às 8h da manhã e já estar tudo aberto, tem uma rede de pessoas que chegou antes da gente para garantir o nosso bem-estar”, afirma. Ela também destaca o acolhimento demonstrado por muitos profissionais da faculdade, que compreendem as diferentes realidades enfrentadas pelos alunos e contribuem para um ambiente mais humano e respeitoso.

 

Entre amizades, apoio e aprendizado, os relatos dos estudantes revelam que a Facom é construída diariamente pelas pessoas que ocupam seus corredores e salas. Mais do que formar profissionais da comunicação, a faculdade contribui para a formação humana daqueles que passam por ela.

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Entrada da FACOM  Foto: Gabriely Lourenço

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